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Domingo, Julho 09, 2006



Queimei a língua. Essas coisas acontecem quando você ouve uma determinada banda ou vê determinado filme com certos pré-conceitos (diz-se estruturas pré-concebidas) quanto ao produto. Pois bem, depois de tantos elogios, babações, declarações de amor e protecionismo da mídia especializada, a minha relação com o Arctic Monkeys acabou se transformando. Inicialmente vou dizer que existia sim uma má vontade e isso é uma das coisas mais perigosas para quem ouve música e pretende se propor a escrever sobre o assunto ou o que quer que seja relacionado com tal mundo. O fato é que fui ouvir a "maior revelação do rock", a "melhor banda dos últimos tempos da última semana", "o arrasador de quarteirões do myspace" entre outras alcunhas cretinas que já li por aí, com uma tremenda má vontade. E coloca má vontade aí. Fui todo armado, rejeitando qualquer acorde que os caras pudessem promover.

Eu também começei errado. Eu começei com os singles da banda, mais crus, mais estranhos e com menos refinamento musical e riffs hipnóticos de uma "dancing shoes" ou "fake tales from san francisco". Daí foi negação total, passei a negar a banda com todas as minhas forças e por pouco não passei a odiar quem gostasse dos caras. Ridículo. Certo dia, sabe-se lá porquê - até sei, foi por causa de "i bet that you look good on the dancefloor", que era a única que eu gostava - resolvi ouvir denovo o album. "whathever people say i am, thats i'm not" é uma negação no próprio nome. O termo "hype" cairia aqui como uma luva se eles realmente não fossem um tremendo hype. Mas a conotação negativa que essa palavra ganhou acabou impugnando qualquer das bandas novas em atitudes dos puristas musicais que se multiplicam em cada esquina e apequenam o sentido da nova música, do post-punk, do post-rock, e de outros posts tão pretenciosos quanto. A verdade foi que ouvir Arctic Monkeys, três, quatro meses depois de um primeiro contato foi redescobrir a banda. É, assim desse jeito mesmo. E ver que a barulheira que eles fazem tem total sentido, e que tudo se encaixa, sejam os riffs grudentos de "red lights indicates doors are secure" ou o baixo pesado e pegajoso de "dancing shoes". De certa forma é uma banda que reinventa as concepções do pop-punk-reggae e até intimistas, junto com os Strokes e ao mesmo tempo que coloca um quê de dançante no caldo todo, acrescenta qualidades musicais nem sempre vistas, e principalmente, escassas na grande maioria das bandas que vêm surgindo por aí. Arctic Monkeys não é a salvação do rock como muitos têm sugerido, mas que é uma puta banda, isso é verdade. Dadas todas as devidas proporções.