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Sexta-feira, Agosto 04, 2006
Personalidades Fragmentadas ou O Taxista que recebia cantada de viados e siriricou uma dona-de-casa quarentona
Eis que depois de muito tempo, voltei a pegar um táxi. Inicialmente tinha duas opções, um parado num cruzamento e um outro, um Gol. Certo, vamos de Gol. Faço sinal e um cidadão mid-40's, barba grisalha, negro e barrigudo pára. Ele tinha uma toalha colorida, estilo jamaicano cobrindo as pernas. não tinha cara de maconheiro. Depois de dizer o destino, o carro deu a partida. O Gol andava capengando, não sei como não morria. Toda vez que o tio passava a marcha o carro cuspia e dava um tranco. literalmente caindo aos pedaços. Inicialmente o cidadão começou a discursar sobre Marco Maciel, Geraldo Alckmin, Miguel Arraes, policagem mesmo. Dizia que todos os políticos roubavam, mas que gostava de Marco Maciel porque ele sempre ficava em cima do muro, não fazia absolutamente nada, mas que não roubava. Eu concordava com tudo, cansado de uma jornada de sete horas em frente a um computador e com o nível de estresse em certo grau elevado. Com certeza, Marco Maciel. não, o senhor está certo, certíssimo. Não aguentava mais o assunto e resolvi mudar o foco da conversa. Vamos falar do trabalho de taxista, porquê não. É uma coisa que eu sempre pergunto, se aquilo dá dinheiro, quantas horas trabalham por dia, etc. O cara se empolgou. Contou que trabalhava em frente ao Fórum, que fazia mais de 12 viagens por dia, que odiava clientes cujos percursos eram curtos e rendiam menos de R$10,00. Interessante a análise antropológica do taxista. O carro vinha a trancos e solavancos, quase aos pedaços. Passamos em um viaduto e ele resolveu contar que um certo dia um viado deu em cima dele. Analisei o cara. Será que ele era viado? Não, não era não, eu teria notado. "O viado chegou e botou a mão nas minhas costas e disse que eu era lindo, que minha barba tava muito bonita". Certo, sr. taxista. O quê diabos você quer que eu fale? Ele contou que o viado deu em cima dele e que ele disse que "aquela não era a praia dele", se o viado não queria descer do carro. Não satisfeito, contou uma história de um juiz federal baiano que andou com ele. Segundo o depoimento, o magistrado vinha a um congresso no Recife e em dado momento da viagem pegou nos braços do taxista e falou algo como: "seus braços são tão fortes. você malha? seu rosto é lindo." Err, eu não precisava estar ouvindo aquilo, sabe. Voltemos a Marco Maciel! Política, por favor! O juiz se ofereceu para dar ao cara, que disse com toda paciência do mundo que tinha mulher e filha. Não satisfeito, o coroa ainda disse onde estava hospedado e convidou o taxista para um "tour por Recife". Prontamente negado. Acho que ele se cansou do estoque de viadagem e resolveu passar para o heterosexualismo. Melhor. "Uma mulher de uns 40 anos, boazuda. Ela sentou aqui do meu lado e ficou olhando pra mim. disse que ia pra Piedade. Quando a gente passou pelo cais ela abriu as pernas assim e disse que queria que eu a comesse. Que o marido dela estava bêbado em casa e que ela precisava daquilo, que tinha me achado bonito. Aí eu perguntei se ela queria ir prum motel comigo. Ela disse que não, que não. Então começei a siriricá-la (esse foi o verbo)". Siriricá-la. O taxista é bissexual, pensei. Ele disse que fez aquilo até ela gozar na mão dele tão forte que o banco do carro tinha ficado todo sujo. Haja exercício de pompoarismo. Não sei porquê, mas naquela hora eu lembrei da velha que tinha tido um orgasmo com Roberto Carlos, o cantor. aquela lá do depoimento da novela das 8 que fez uma festa no youtube. Depois de concluído o ato mano-sexual, o taxista deixou-a em uma esquina de Piedade e disse que a perseguiu para ver onde ia. Tinha medo da polícia. ela entrou no shopping. "Menos mal". Também contou que tinha tomado um tiro e que foi roubado três vezes. |